Gourmet
O risoto negro
Um passeio pelo mundo da gastronomia, dos sabores e histórias de um único prato do Risotti d'Oro.
O tempo é um dos ingredientes mais caros à culinária: ele produz o ponto certo, permite que todas as reações aconteçam para que os ingredientes se transformem em uma refeição perfeita. O risoto Negro do Risotti d'Oro é um desses casos em que o tempo é fundamental: o prato exige carinho e atenção constantes até que fique finalmente pronto, como ensina a sábia tradição italiana. Mas este risoto negro tem mais tempo: ele é produto de séculos de histórias - não apenas os relatos das navegações de comerciantes pelo mar Mediterrâneo durante a idade Média, levando entre suas cargas o arroz que conquistou o sul da Europa; mas também a Itália, onde, no final do século XV, operários de uma catedral gótica deixaram cair açafrão no arroz, criando assim o risoto, segundo conta a lenda; passa também pelas grandes viagens marítimas européias até a Ásia, desde os séculos XVI e XVII produzindo um intercâmbio gastronômico novo; passa pela China antiga, onde os imperadores proibíam o consumo de arroz negro entre os súditos, apenas para garantir uma farta provisão do grão, considerado rejuvenecedor e afrodisíaco, para o seu próprio consumo; e chega até os modernos e revolucionários boeing 747 que em 1990 transportaram a chef Déborah Bastos em sua viagem à Madrid, na Espanha, onde se deliciou com uma versão rudimentar de um risoto que usava o arroz negro.
De lá para cá, Débora aprimorou o prato do que hoje é o risoto negro do Risotti d'Oro: arroz negro cozido no vinho tinto, camarões, brócolis e manjericão refogados no azeite e no alho, guarnecido de suave e delicioso molho teriaki, finalizado com parmesão. Uma mistura de sabores e tradições tão diversos reunidos em uma refeição elegante. É um prato cheio para os amantes do risoto!